Neige pensando em mais uma banda...

Sempre pensei como seria o futuro do black metal, um estilo musical extremamente inacessível e  não muito aberto a mudanças a sua sonoridade e ideologia, provavelmente seria fadado ao ostracismo por tamanha reclusão. Porém esse cenário começa a mudar um pouco com bandas clássicas que deram uma renovada em sua sonoridade como o Darkthrone e o Satyricon, mas a que mais me chamou a atenção nessas últimos anos foi uma banda novata chamada Alcest.

Suavidade e brutalidade em um só lugar

Atrás desse projeto, a mente de Neige, um multi instrumentista francês que participou de inúmeras bandas francesas de metal, entre as mais nótaveis estão o Peste Noire, Amesoeurs (deste falarei mais em um futuro post) e o Forgotten Woods. Descrever o som do Alcest não é tarefa fácil, seria uma mistura de melodias shoegaze viajantes com levadas de rock alternativo e alguns poucos lampejos de guturais e riffs típicos do black metal e toda essa salada  soando de forma harmoniosa e coesa, dá pra imaginar? Na minha maneira de ver o que Neige está criando é algo único e de uma beleza muito particular, realmente genial, ainda mais se levarmos em conta que ele toca todos os instrumentos e canta no projeto.

Recomendo ouvir de olhos fechados viajando para lugares desconhecidos, descobrindo toda uma gama de novas sensações inebriantes…

Esse mendigão já assassinou e queimou igrejas...

Esse mendigão já assassinou e queimou igrejas...

Sim, ele está de volta. Possivelmente o músico mais polêmico da Noruega e quiçá de todo heavy metal cumpriu parte de sua pena na prisão e está em liberdade condicional e não perdeu tempo retomando seu antigo projeto solo Burzum e lançando um novo albúm, chamado Belus.

Para quem não conhece o dito cujo, aí vai um breve histórico, Varg Virkenes fez parte da cena black metal da Noruega do começo dos anos 90, de onde surgiram vários nomes clássicos do estilo, como Mayhem, Darkthrone, Satyricon, Immortal, Emperor e o próprio Burzum. Varg escreveu algumas letras para o Darkthrone e tocou baixo no Mayhem, fez parte também do Inner Circle, uma suposta organização satanista a quem foram atribuídos queimas de igrejas na Noruega, Varg foi culpado por algumas delas,  sua relação com o guitarrista e dono do Mayhem, Eunonymous nunca foi das melhores e Varg o assassinou a facadas, alegando que o defunto tinha um plano para assassiná-lo, como se tudo isso não bastasse, Varg é um confesso defensor da supremacia branca. Adorável, não?

Posto isso, vamos ao que importa, a música. O som do Burzum pode nos levar a muitas sensações diferentes, como raiva, desespero, misantropia, isolamento, escuridão, realmente não é um tipo de música fácil de digerir e somando-se a uma produção propositalmente ruim tudo fica mais inacessível… suas letras dissertam sobre natureza e cultura pagã, abordando diversas divindades nórdicas, esse direcionamento se deu com a insatisfação de Varg com a cena black metal onde o satanismo era prioridade e ele queria um revival da cultura nórdica, sendo influência para diversas bandas atualmente.

O novo albúm é bom?

Ele atende a expectativa dos fãs, Belus não tem nada de moderno, é o black metal que consagrou a banda, com riffs inspirados e que fazem você emergir e viajar na música, tem a produção um pouco melhor que seus antecessores, mas nada que comprometa. Recomendado aos fãs e a quem tenha mente aberta e esteja disposto ao ouvir sons diferentes do usual.

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